Pinacoteca

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Pinacoteca

Histórico da Pinacoteca

A Pinacoteca do Estado foi fundada em 1905, sendo inicialmente concebida para funcionar como uma galeria de pintura atrelada ao Liceu de Artes e Ofícios. Em sua inauguração, em 25 de dezembro daquele ano, figuram 26 pinturas transferidas do Museu do Estado (hoje Museu Paulista) basicamente de artistas ligados à hoje denominada Escola Nacional de Belas Artes, agraciados com Bolsas de Prêmio ao Exterior, comprometidos com a tradição oitocentista e clássica. Tal iniciativa coube especialmente a José Cardoso de Almeida, na época Secretário do Interior e Justiça, apoiado pelos incentivadores Freitas Valle (poeta e mecenas das artes na cidade), Francisco de Paula Ramos de Azevedo (engenheiro-arquiteto, vice-diretor do Liceu e professor da Escola Politécnica), Sampaio Vianna (político) e Adolpho Pinto (engenheiro).

A Pinacoteca foi então instalada em uma ampla sala no edifício concebido pelo Escritório Técnico Ramos de Azevedo, com projeto do próprio Ramos de Azevedo e de Domiziano Rossi, para abrigar as atividades do Liceu, entidade privada que surge em 1873. O projeto data de 1896, a construção inicia-se no ano seguinte e a conclusão parcial se dá em 1900. Para a inauguração da Pinacoteca, parte do edifício passa por reformas para ser adaptado, com a junção de três salas para formar um amplo salão no segundo andar. Para que a luz fosse distribuída de maneira conveniente, foram fechadas as janelas e aberta uma grande clarabóia, cujo controle da luz era dado pela instalação de um plafond.

O acervo passa a ter existência jurídica em 1911, por meio de lei que dotava o Estado da competência de preservar o conjunto artístico que contava então com 59 obras, definindo a Pinacoteca com diretrizes de um museu estatal. Num primeiro período, são realizadas diversas aquisições para o museu nascente, enquanto o Liceu organiza relevantes mostras. Da fundação até 1921, a Pinacoteca esteve atrelada à mesma direção do Liceu, sendo a atuação de Ramos de Azevedo significativa e propulsora de muitas ações. O acervo continua a crescer, especialmente com obras de artistas ligados à tradição, sendo exceção o ingresso, a partir da década de 1920, de trabalhos de Victor Brecheret, Anita Malfatti, Lasar Segall e Tarsila do Amaral. Na década de 1930, é incorporada uma obra de Candido Portinari; tais trabalhos criam ensejo para a entrada de obras modernistas num acervo ainda predominantemente acadêmico.

A partir de 1930, o Museu passa por sérios percalços, permanecendo fechado por dois anos. Sofre várias transformações no período e suas salas são utilizadas para usos diversificados: em 1930, serve como abrigo militar, além de ser acometido por um incêndio; é ocupado na ala direita pelo Grupo Escolar “Prudente de Moraes”, a partir do movimento que conduz Getúlio Vargas à Presidência da República; em 1932, o edifício é novamente requisitado para uso militar no período da chamada Revolução Constitucionalista. Nessa época conturbada, o acervo da Pinacoteca é distribuído por diversos órgãos públicos. A criação do Conselho de Orientação Artística do Estado em 1931 e um decreto passam a guarda, conservação e responsabilidade das obras da Pinacoteca para a Escola de Belas Artes de São Paulo (EBA-SP), instituição privada. Em julho do ano seguinte, todo o acervo é transportado para a nova sede do Museu, junto à referida escola, no antigo prédio da Imprensa Oficial, na Rua Onze de Agosto, sendo o diretor da instituição de ensino também responsável pela Pinacoteca. A separação dos cargos só ocorre em 1939, por meio de outro decreto, que cria o cargo de Diretor Técnico. As obras da Pinacoteca só retornam à sede no Parque da Luz em 1947, juntamente com a EBA-SP, agora com funcionamentos autônomos.

A partir de 1932, a Pinacoteca tem duas grandes gestões, ambas acadêmicas: a primeira de Paulo Vergueiro Lopes de Leão (1932–1944) e a segunda de Túlio Mugnaini (1944–1965). Durante esses anos, dedica-se à complementação de seu acervo com obras ligadas a uma tradição clássica por excelência. A situação altera-se a partir do final da década de 1960, durante as gestões de Delmiro Gonçalves (1967–1971), Clóvis Graciano (1971) e Walter Wey (1971–1975). Nesse período, são realizadas obras emergenciais no edifício, ampliação das atividades do museu e mudanças no critério de incorporação de obras ao acervo, o que passa a ser realizado pelo Conselho de Orientação Artística (COA) da Pinacoteca do Estado, criado por decreto em 1970.

Nos anos 1970, nas gestões de Aracy Amaral (1975–1979) e de Fábio Magalhães (1979–1982), busca-se realizar aquisições seletivas a fim de complementar o acervo do Museu. A gestão de Aracy Amaral privilegiou também a dinamização da biblioteca, do setor de documentação artística, além da organização de atividades culturais e da realização de exposições sistemáticas do acervo, buscando uma reflexão detida acerca da arte brasileira. A gestão de Fábio Magalhães deu continuidade às ações empreendidas, e nessa época foi possível a inserção de muitas obras dos anos 60 e 70, preenchendo mais lapsos da coleção do museu. Destaca-se também no período a criação do Gabinete Fotográfico.

Até a década de 1980, o prédio ainda era compartilhado entre a Pinacoteca e a Escola de Belas Artes, situação que só seria revertida após ação empreendida pelo Estado contra a referida Escola. Na gestão de Maria Cecília França Lourenço (1983–1987), há prosseguimento das atividades realizadas por seus antecessores, novas mostras a rediscutir o acervo, ingresso seletivo de obras, incremento das atividades de extroversão, reorganização administrativa interna e um grande empenho pela retomada do edifício, a partir da abertura de um novo processo, cujo ganho de causa se deu em 1987. Então se efetiva a transferência da Escola de Belas Artes (1989), e todo o edifício – com profundas marcas deixadas pela entidade de ensino – passa a abrigar as atividades da Pinacoteca.

Nas últimas gestões, houve intensas modificações, físicas e setoriais na Pinacoteca, que é atualmente um museu plenamente consolidado, contando com todas as áreas fundamentais para o pleno exercício de suas atividades (museologia, conservação e restauro, ação educativa, biblioteca, pesquisa, publicações, entre outros) com excelência técnica. Na gestão de Emanoel Araújo (1992–2002), foi realizada uma profunda reforma no edifício, adequando-o a funções museológicas de excelência técnica; houve ampliação do número de mostras e crescimento considerável do acervo. Inaugurou-se uma nova fase de crescimento e aprofundamento do papel da Pinacoteca no cenário cultural do país.

A atual gestão, de Marcelo Mattos Araújo, além de dar continuidade às atividades museológicas que há muito consolidam a importância do Museu no cenário cultural brasileiro, está implementando e aprofundando outras ações, como as de pesquisa, ampliação e difusão de seu acervo, bem como a realização de palestras, encontros e atividades paralelas às mostras. A Ação Educativa também tem papel fundamental e de crescente importância, desenvolvendo programas de atendimento educativo que contemplam um público cada vez maior e tornam possível ao museu exercer sua vocação central: seu papel formador.

Baseada desde 2006 no modelo de Organização Social, que atribui à Associação de Amigos da Pinacoteca a responsabilidade de gerir e zelar pelo Museu, a Pinacoteca tem se modernizado ainda mais a cada dia, buscando alternativas arrojadas de crescimento de seu acervo e de manutenção, em densidade e qualidade, de sua programação. Incentivos à doação por parte de artistas, convites à colaboração pública, iniciativas articuladas entre esferas pública e privada são algumas dessas ações. A Pinacoteca tem ainda firmado comodatos com fundações detentoras de importantes coleções, como a Fundação José e Paulina Nemirovsky, que apresenta seu acervo na Estação Pinacoteca, e a Fundação Estudar – parceria esta que resultou, em outubro de 2007, na mais importante doação já recebida pelo Museu.

Pinacoteca Luz

Praça da Luz, 2 - Luz - São Paulo/SP
Fone: (11) 3324-1000
Funcionamento: De terça a domingo, das 10h às 18h00

Serviço:

Ingresso combinado (Pinacoteca + Estação Pinacoteca):R$6,00 e R$3,00 (meia), entrada gratuita para menores de 10 anos. Grátis aos sábados.
Estudantes com carteirinha e idosos pagam meia entrada.